Sinto vergonha de mim
Cleide Canton
Sinto vergonha de mim…
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia, pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade
a demasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás e mudar o futuro.Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!
De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto. (Ruy Barbosa)A autoria deste texto poético é de Cleide Canton.
Arquivos diários:19 agosto, 2009
“Cuba Libre” Responder
49 anos após descer a “Sierra Maestra” e derrubar o governo de Fulgencio Batista, Fidel Castro renuncia a Presidência do Conselho de Estado de Cuba.
Afastado há quase 4 anos devido a uma grave doença intestinal, o lider cubano despediu-se (em carta publicada) oficialmente do poder. Trata-se de matéria de “primeira página” nos meios de comunicação do mundo inteiro. No bojo das notícias, as palavras de destaque são: “abertura política”, “redemocratização”, “liberdade para os cubanos”, “fim da ditadura e da repressão”, etc. Por que um País caribenho do terceiro mundo estaria sendo o centro das atenções na mídia internacional? Sendo mais exato, não é Cuba e sim o seu ex-lider o foco dos holofotes. Enquanto esteve no comando da “pequena ilha”, Fidel, tal qual a bíblica luta entre Davi e Gólias, enfrentou e rebelou-se contra a ideologia e o dirigismo político e econômico do gigante imperialista da atualidade, os EUA. Sua posição firme quanto aos destinos da Nação foram um grande embaraço para os “donos do mundo” que em resposta, impuseram rígidas restrições comerciais ao pequeno Estado. Justiça seja feita, Fidel nunca fora um homem comum, mas um prócer firme nos seus ideais, aponto de com sua máxima ” revolução ou morte” ter no episódio conhecido como a “crise dos mísseis em Cuba”, levado o mundo tão perto da Terceira Guerra Mundial. Por ironia, fora mais fácil ceifar a vida do Presidente do “País opressor” (John Kennedy – 1963) do que tirá-lo de cena. Sua retirada foi decorrência natural do ciclo da vida, e não fruto de conspirações, golpes ou atentados. Seu tempo chegou ao fim. Qual foi o seu legado? A ideologia dominante associou o seu governo à um marxismo anacrónico, à tirania e ao fuzilamentos (paredões) dos opositores do regime. Mas e a saúde, a educação (onde o índice de analfabetismo é de 0.02% da população), a baixa mortalidade infantil (4 vezes menor que a do Brasil), o IDH (situado entre os países de alto desenvolvimento humano), o sexto menor índice de pobreza entre os 102 países em desenvolvimento pesquisados pela ONU ? Bom, a história o julgará. Variavelmente talvez. Principalmente, após a sucessão natural da supremacia mundial. E agora ? Cuba será introduzida no capitalismo globalizado e incorporará as “ideias modernas” dos paises do “1o mundo”? Caso isto ocorra, brindaremos com uma “Cuba Libre” (preparada com uma Coca-Cola americana)?