Criticamos os estadunidenses quando eles dizem que a capital do Brasil é Buenos Aires, que aqui só tem favelas, PCC, futebol e carnaval. Respondemos que eles são ignorantes, desinformados, não enxergam um “palmo diante dos olhos”, desconhecem geografia, economia, e nunca viram a beleza e o desenvolvimento de nosso País.
Saindo do cenário internacional para o local, qual a imagem que o Brasil tem do Amazonas e seus habitantes? A de que todos somos silvícolas, que vivemos no meio da floresta, andamos de canoa, e convivemos com cobras, onças e jacarés em nosso dia-a-dia. Mutatis mutandi, nós amazonenses poderiamos dar as mesmas respostas: as pessoas que assim falam ou pensam são ignorantes…
Esta semana, um magistrado de Recife fez um comentário que me deixou contrariado: “você não parece amazonense. Não tem ”cara de índio”. A devida resposta não foi dada por respeito aos nordestinos, que também são estereotipados.
Neste momento, estou vendo o “Globo Reporter” cuja matéria mostra como vivemos no Amazonas, contudo, não falam de Manaus (8a mais populosa e 6o maior PIB do País), nem de Parintins e sua internacionalmente conhecida “Festa do Boi”, de Itacoatiara, Manacapuru, Humaitá (a princesa do Rio madeira), Tefé, Tabatinga, Maués…apresentam para os que assistem apenas comunidades ribeirinhas, indígenas, e a falsa impressão de que em todas as nossas cidades o modus vivendi seria similar.
Paranóia, ou não, vislumbrar nestas reportagens mensagens subliminares de discriminação em relação aos Estados amazônicos?
