A guerra do Tamiflu 1

Vírus H1N1/ Influenza APor Diego Moraes

Desde o início da pandemia de gripe A (H1N1), conhecida como gripe suína, o acesso ao antiviral Tamiflu tem sido o ponto da discórdia entre especialistas e governo. Médicos reclamam que restringir o uso do remédio ajudou a elevar o número de mortes no país. O Ministério da Saúde sustenta, por sua vez, que a prescrição indiscriminada torna o vírus mais resistente. Em meio à polêmica, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) decidiu se posicionar contrariamente à permissão para que hospitais particulares tenham o fármaco nos estoques, sob o argumento de que isso seria um risco à saúde pública. A Justiça Federal deve decidir amanhã quem tem a razão.

O promotor de Justiça Jairo Bisol, chefe da Promotoria de Defesa da Saúde (Prosus) do MPDFT, afirma que autorizar a rede privada a ter estoques de Tamiflu em meio à pandemia vai prejudicar o controle por parte do governo. “Seria um descalabro do ponto de vista epidemiológico. Haveria prescrição desordenada, pondo em risco os estoques.” Hoje, os hospitais particulares e seus pacientes só têm acesso ao medicamento se solicitarem à rede pública de saúde, depois de cumprirem um rito burocrático.

Restrição

Venceu ontem o prazo de 72 horas fixado pelo juiz Rafael de Souza Pereira Pinto, da 15ª Vara Federal no Rio de Janeiro, para que o governo prestasse esclarecimentos sobre o assunto. A expectativa é que o magistrado decida amanhã se acolhe o pedido de liminar feito pelo defensor público da União André da Silva Ordacgy. Ele quer amplo acesso ao Tamiflu pelos hospitais públicos e privados e a prescrição do medicamento a todos os pacientes. “Essa sistemática de restringir o acesso é exclusiva do Brasil e já passamos de 170 mortes”, afirma.

O governo flexibilizou na semana passada o protocolo de uso do antiviral. Antes, o medicamento só podia ser receitado a pacientes graves ou do grupo de risco. Com a mudança, os médicos estão autorizados a receitá-lo em outros casos. “Mesmo assim, há médicos reclamando da dificuldade de acesso ao antiviral”, afirma a defensora pública da União no Rio Grande do Sul Lílian Alves.

Em Brasília, os pacientes da rede privada só têm acesso ao medicamento na rede pública. “A médica passou uma hora preenchendo a papelada e tive dificuldade de retirar o remédio no Hospital Regional da Asa Sul porque minha mulher precisava da dose em dobro”, afirma o analista de sistemas Hugo Mendonça. A mulher dele está internada em hospital particular com suspeita da nova gripe.

170 mortes no país

Com a confirmação de mais duas mortes em Santa Catarina e uma no Paraná, o número de óbitos pela nova gripe no país chegou ontem a 170. As três vítimas eram mulheres. De acordo com a Secretaria de Saúde do estado catarinense, uma das pacientes tinha 52 anos e morava em Celso Ramos. A outra, com 26 anos, era de Blumenau. No Paraná, a vítima vivia em Maringá, tinha 24 anos e deu à luz há poucos dias.

Em Brasília, pacientes de hospitais particulares reclamam que estão faltando leitos para internação. O médico responsável pelo departamento de infectologia do Hospital Santa Luzia, Marcone Tinhati, afirma que o número de atendimentos por gripe cresceu “assustadoramente” em relação ao ano passado. “Ainda não há percentual exato, mas não havia internação como agora. Essa gripe não é como a comum. A taxa de transmissão é mais alta e os pacientes graves desenvolvem pneumonia viral em menos tempo”, afirma. Ontem, faltou máscara no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) para os pacientes com sintomas da doença.

Por medo da gripe, escolas, academias de ginástica e até empresas de ônibus país afora estão reforçando a limpeza em equipamentos e corrimãos como forma de prevenção. A Universidade de Brasília, por exemplo, cancelou eventos que causam aglomeração de pessoas. Mas, afinal, o vírus é transmitido pelo ar? “Não, ele não sai voando por aí”, tranquiliza o médico-infectologista Artur Timermann.

Transmissão

Segundo o especialista, o vírus é transmitido pelas secreções da pessoa infectada. “Ou seja, se o doente tosse ou espirra em alguém ou em cima de uma superfície e outra pessoa coloca a mão na saliva, ela pode ser infectada”, explica. Por isso, embora o vírus não circule pelo ar, evitar aglomerações pode ser um jeito de deter a transmissão.

Se a secreção do paciente cair em superfícies de madeira ou de cimento, o vírus sobrevive até 24 horas. Em metal, isopor e tecidos, o tempo pode até dobrar. “Por isso é importante limpar com frequência elevadores com parede de aço escovado”, afirma Timermann. Mas o H1N1 é sensível à radiação solar. Se ficar exposto aos raios ultra-violeta, pode morrer em minutos.

Fonte: Jornal Correio Brasiliense (09/08/2009)

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Um Comentário

  1. Penso que este medicamento não deve ser liberado.
    Brasileirto adora automedicação. O vírus vai tornar-se resistente. Ai, preparem-se

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