Projeto “Começar de Novo” é implantado no Amazonas (TJAM) 2


O Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, presidido pelo desembargador Arnaldo Carpinteiro Péres, começa o ano de 2010 entrando numa nova etapa. Conforme resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o grupo vai implantar e manter o projeto “Começar de Novo”, que visa a capacitação profissional e a reinserção social de presos e egressos do sistema carcerário. A nova etapa teve início na sala do Grupo de Monitoramento (no Fórum Ministro Henoch Reis, no Aleixo, zona Centro-Sul), onde ocorreu uma reunião que marcou a entrada da juíza Telma Roessing no corpo de magistrados que atua na questão carcerária no Amazonas.

A nova membro do grupo vai atuar num subgrupo que coordenará as ações do programa “Começar de Novo”, com a participação dos juízes Anagali Bertazzo, Eulinete Tribuzi e George Lins, que já eram membros da equipe que atua nas questões carcerárias do Amazonas. Ao todo, agora, são 12 os magistrados membros do Grupo de Monitoramento Fiscalização do Sistema Carcerário no Amazonas . Além dos quatro membros que cuidarão do “Começar de Novo”, o grupo conta ainda com os juízes Carlos Queiroz, Elci Simões, Henrique Veiga, Julião Lemos, Lafayete Vieira, Margareth Hoagem e Sabino Marques, coordenados pelo desembargador Arnaldo Carpinteiro Péres.

O grupo tem várias atribuições, como a análise de processos de internos para a concessão de liberdade. Outra atribuição, é a proposta de reinserção social de presos e egressos do sistema carcerário por meio do “Começar de Novo”.

“Todos os estados têm que se adequar, pois a reinserção de presos na sociedade é prevista no artigo 5º do capítulo III da resolução 96 (de 27 de outubro de 2009) do Conselho Nacional de Justiça”, explicou a juíza Telma Roessing.

A magistrada referiu-se à resolução do CNJ que diz que “os Tribunais de Justiça deverão instalar, no prazo de 30 dias, e por em funcionamento no prazo de até 90 dias, grupo de monitoramento e fiscalização do sistema carcerário, presidido por um magistrado, com as seguintes atribuições:

  1. Implantar, manter e cumprir as metas do Projeto Começar de Novo;
  2. Fomentar, coordenar e fiscalizar a implementação de projetos de capacitação profissional e de reinserção social de presos, egressos do sistema carcerário, e de cumpridores de medidas e penas alternativas”.

O projeto

O programa “Começar de Novo” compõe-se de um conjunto de ações voltadas à sensibilização de órgãos públicos e da sociedade civil com o propósito de coordenar, em âmbito nacional, as propostas de trabalho e de cursos de capacitação profissional para presos e egressos do sistema carcerário, de modo a concretizar ações de cidadania e promover redução da reincidência.

O programa comporta as seguintes iniciativas:

  1. Realizar campanha de mobilização para a criação de uma rede de cidadania em favor da ressocialização;
  2. Estabelecer parcerias com associações de classe patronais, organizações civis e gestores públicos, para apoiar as ações de reinserção;
  3. Implementar iniciativas que propiciem o fortalecimento dos Conselhos da Comunidade, para o cumprimento de sua principal atribuição legal – reintegração social da pessoa encarcerada ou submetida a medidas e penas alternativas.
  4. Integrar os serviços sociais nos Estados para seleção dos beneficiários do projeto;
  5. Criar um banco de oportunidades de trabalho e de educação e capacitação profissional;
  6. Acompanhar os indicadores e as metas de reinserção.

Apesar de não haver no Brasil estudos precisos sobre a taxa de reincidência, em seu sentido amplo, os mutirões carcerários têm evidenciado um contingente significativo de pessoas com mais de um processo nas varas criminais e nas varas de execução penal, indicando ser alto o índice de reincidência, compatível com levantamentos que a fixam entre 60 e 70%.

Taxas de reincidência altas têm reflexo direto na segurança pública e a sua redução, dentre outras medidas, passa pela implementação de programas consistentes de ressocialização.

Além do caráter preventivo e punitivo, a execução penal dever também proporcionar condições para a harmônica integração social das pessoas encarceradas.

Por esse motivo, o programa visa a necessidade da integração de órgãos do poder público e da sociedade civil no processo de execução da pena, compreendida esta em suas funções preventiva, punitiva e de reinserção social.

Extraído do sítio: http://www.tjam.jus.br

Imagem (logo da campanha) retirada face ao exposto no Blog do Juarez.

  1. Projeto muito importante e espero que alcance o resultado esperado.

    Mas, em minha humilde opinião a análise do problema e o desenho da solução deveriam ter tomado outro caminho.

    Vejamos :

    1- O principal motivo alegado pelos reincidentes (salvo engano) é que voltaram ao crime por falta de oportunidades/não conseguirem emprego (isso obviamente devido ao preconceito e discriminação dos empregadores em geral, também pela qualificação não apropriada).

    2- O preconceito dos empregadores é até “compreensível” pois não é totalmente infundado… o fato é que maus antecedentes maculam… isso é cultural e reverter é muito difícil, o próprio poder público não permite que pessoas com condenação prévia sejam investidos como servidores mesmo tendo sido aprovados em concurso… , citando Einsten ” Tristes tempos em que é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito” .

    3- Se o preconceito (muito difícil de erradicar) e a qualificação (possível de ser feita durante a execução) são os maiores problemas, então a solução é EVITAR o preconceito EVITANDO O FOCO EM EMPREGO, qualificando prioritariamente para OCUPAÇÕES SEM PATRÃO… (empreededorismo ou cooperativismo).

    4- Uma vez qualificado para o empreendedorismo/cooperativismo, ficam faltando apenas as condições necessárias para que o negócio próprio seja montado…, o ponto X da questão começa aqui, seria necessário providenciar linhas de crédito especiais e consultoria para o egresso “começar com o pé direito” e obter sucesso.

    5- O fomento poderia ser feito por fundo do poder público diretamente ao egresso ou através de Cooperativas especialmente criadas; grandes empresas também poderiam ser INCENTIVADAS caso repassassem recursos ao fundo (o que é bem mais fácil) ou criassem programas próprios de admissão em seus quadros (o que é bem mais improvável) .

    Pode “ficar caro”, mas com certeza o retorno social e a efetividade serão muito maiores, sem investimentos pesados na prevenção social da criminalidade e na ressocialização, não há saída, muito do que se gasta hoje superequipando a segurança pública e na manutenção do sistema prisional, teriam muito mais efetividade se aplicados em prevenção social e ressocialização.

    Bom, é isso, só ideias…

    Grande abraço Dr. George.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s