O Judiciário na “Era” do merecimento objetivo 4

Nos termos do art. 93, II Constituição Federal, a promoção de magistrados  (entrância para entrância) far-se-á alternadamente pelos critérios da antiguidade e do merecimento.

Trata-se de norma de eficácia imediata, não sendo necessária a edição do citado Estatuto da Magistratura para que produza seus efeitos. Neste termos a decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal:

“A aplicabilidade das normas e princípios inscritos no art. 93 independe da promulgação do Estatuto da Magistratura, em face do caráter de plena e integral eficácia de que se revestem aqueles preceitos.” (ADI 189, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 9-10-91, Plenário, DJ de 22-5-92).

No que pertine ao critério antiguidade, a Lex Fundamentalis prescreve objetivamente que (Art. 93, II, d):

“Na apuração de antiguidade, o tribunal somente poderá recusar o juiz mais antigo pelo voto fundamentado de dois terços de seus membros, conforme procedimento próprio e assegurada a ampla defesa, (…)”

Já para o critério merecimento a regra é que o Estatuto da Magistratura disporá sobre a “aferição do merecimento conforme o desempenho e pelos critérios objetivos de produtividade e presteza no exercício da jurisdição e pela frequência e aproveitamento em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento”(Art. 93, II, “c”). Contudo, o citado Estatuto ainda não ‘nasceu” no mundo jurídico, e a LOMAN (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), Lei Complementar n. 35/79, recepcionada pela nova ordem jurídica e que disciplinará a matéria pertinente  até o advento daquele (ADI 1.985, ADI 2.580 e AO 185), é omissa a este respeito.

Com efeito, o juiz promovido era aquele que obtinha o maior número de votos em uma eleição realizada pelo membros do Tribunal Pleno ou de Órgão Especial. Com um detalhe, o voto não era fundamentado. Tornando a escolha extremamente subjetiva, em alguns casos injusta e impossível de ser impugnada.

Diante da necessidade de adoção de critérios objetivos para a avaliação do merecimento e buscando colmatar esta lacuna, o Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução nº 106, de 06 de abril de 2010 que consignou os seguintes preceitos de observância obrigatória pelos Tribunais:

a) As promoções por merecimento de magistrados em 1º grau e o acesso para o 2º grau serão realizadas em sessão pública, em votação nominal, aberta e fundamentada;

b) A promoção deverá ser realizada até 40 (quarenta) dias da abertura da vaga, cuja declaração se fará nos dez dias subseqüentes ao seu fato gerador;

c) Salvo em relação a avaliação da adequação da conduta ao Código de Ética da Magistratura Nacional, as demais condições e elementos de avaliação serão levadas em consideração até à data de inscrição para concorrência à vaga;

d) Observância do “Quinto sucessivo”:

“50 magistrados da mesma entrância, compõem a primeira quinta parte, os 10 mais antigos; se todos estes não aceitarem, integram a segunda 20% dos 40 magistrados subsequentes, ou seja, 8; para o terceiro quinto, 20% dos 32 magistrados subsequentes, ou seja, 7 (arredondamento de 6,4).” CNJ – PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS N.° 200810000020697.

e) Na votação, os membros votantes do Tribunal deverão declarar os fundamentos de sua convicção, com menção individualizada aos critérios utilizados na escolha relativos à: I – desempenho (aspecto qualitativo da prestação jurisdicional); II – produtividade (aspecto quantitativo da prestação jurisdicional); III – presteza no exercício das funções; IV – aperfeiçoamento técnico; V – adequação da conduta ao Código de Ética da Magistratura Nacional. A avaliação desses critérios deverá abranger, no mínimo, os últimos 24 (vinte e quatro) meses de exercício;

f) No caso de afastamento ou de licença legais do magistrado nesse período, será considerado o tempo de exercício jurisdicional imediatamente anterior, exceto no caso de adequação ao Código de Ética, que também levará em consideração o período de afastamento ou licença;

g) Os juízes em exercício ou convocados no Supremo Tribunal Federal, Tribunais Superiores, Conselho Nacional de Justiça, Conselho da Justiça Federal, Conselho Superior da Justiça do Trabalho e na Presidência, Corregedoria-Geral e Vice-Presidência dos Tribunais, ou licenciados para exercício de atividade associativa da magistratura, deverão ter a média de sua produtividade aferida no período anterior às suas designações, deles não se exigindo a participação em ações específicas de aperfeiçoamento técnico durante o período em que se dê a convocação ou afastamento;

h) Na avaliação do merecimento será utilizado o sistema de pontuação para cada um dos 5 (cinco) critérios, com a livre e fundamentada convicção do membro votante do Tribunal, observada a seguinte pontuação máxima: I – desempenho – 20 pontos; II – produtividade – 30 pontos; III – presteza – 25 pontos; IV – aperfeiçoamento técnico – 10 pontos; V – adequação da conduta ao CEMN – 15 pontos. Cada um dos cinco itens deverá ser valorado de 0 (zero) até a pontuação máxima estipulada;

i) Finalizado o processo de levantamento de dados dos magistrados inscritos, serão eles notificados para tomar ciência das informações relativas a todos os concorrentes, facultando-lhes a impugnação em prazo não inferior a 5 (cinco) dias;

j) Findo o prazo para impugnação aos registros, a informação será participada aos integrantes do órgão do Tribunal ao qual seja afeta a matéria relativa às promoções, para que, decorridos 10 (dez) dias, possam os autos ser levados à primeira sessão ordinária do respectivo Colegiado.

k) Todos os debates e fundamentos da votação serão registrados e disponibilizados preferencialmente no sistema eletrônico.

Nesta esteira, o Tribunal de Justiça do Amazonas editou a Resolução 12/2010, que regulamentou o instrumento normativo do CNJ.

Sob a égide destas resoluções, hoje encontram-se em tramitação no TJAM: 1 (uma) promoção para o cargo de desembargador, 1 (uma) promoção para juiz de última entrância e  6 (seis) remoções. Todas pelo critério merecimento.

Esclareço que para às remoções por merecimento, aplica-se o que couber às promoções (CF, art. 93 VIII-A).

Estas regras valorizam a produtividade, a dedicação, a conduta ética, o trabalho, o aperfeiçoamento técnico, a prestação jurisdicional, a magistratura e o respeito à Sociedade.

A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las. (Aristóteles)


Resolucao 106 de 06 de abril de 2010

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  2. Acho muito difícil os Tribunais cumprirem esta resolução do CNJ.
    O vício de eleger os apadrinhados continuará em detrimento do merecimento.
    E assim continuaremos a ter um judiciário medíocre.

    Macedo – Niterói

  3. Discordo do Macedo.

    Agora as decisões vão ter que ser fundamentadas. E mais, as sessões serão gravadas o que irá possibilitar a impugnação para o CNJ.

    Como vão justificar para o conselho que 2 + 2 = 5

    PAD neles!

  4. Agora com estes critérios, aqueles que insistirem na romaria para pedir votos, serão sempre os menos qualificados para a promoção: Os que não trabalham, não produzem, realizam o desprestígio do judiciário e não honram a toga que usam.
    Isso tem que ter um basta em todo o serviço público.

    Abs

    Jana

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