Estatuto da Igualdade Racial – relator (CCJ do Senado) rejeita sistema de cotas e projeto poderá ser votado na próxima semana 3

O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCG) do substitutivo da Câmara ao projeto de lei (PLS 213/03) do senador Paulo Paim (PT-RS), conhecido como Estatuto da Igualdade Racial, Senador Demóstenes Torres (DEM), rejeitou o sistema de cotas para negros na educação. Além de recusar a obrigatoriedade de o governo federal incentivar instituições de ensino superior públicas e privadas a incluir alunos negros em seus programas de pós-graduação, o relator decidiu derrubar a prioridade no acesso da população negra às instituições federais de ensino técnico de nível médio e superior.

Ao justificar essa rejeição, Demóstenes argumentou, no parecer, que “o acesso à universidade e ao programa de pós-graduação, por expressa determinação constitucional, deve-se fazer de acordo com o princípio do mérito e do acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”.

De qualquer modo, o relator do PLS 213/03 na CCJ manteve na seção do Estatuto da Igualdade Racial sobre educação a previsão de que o poder público adotará programas de ação afirmativa. Também preservou a determinação ao governo federal, por meio dos órgãos responsáveis pelas políticas de promoção da igualdade e de educação, de acompanhar e avaliar os programas educacionais.

“Raças não existem”

Muitas das 11 emendas de redação elaboradas por Demóstenes retiraram do texto do substitutivo as expressões “raça”, “racial” e “étnico-raciais”. O relator justificou sua iniciativa afirmando que “geneticamente, raças não existem”. Na sua avaliação, ao se ater ao “mito da raça”, o Estado brasileiro, por meio do estatuto, estaria ajudando a fomentar no seio da sociedade – e não a desconstruir – “a falsa ideia de que raças existem”.

“O genoma humano é composto de 20 mil genes. As diferenças mais aparentes (cor da pele, textura dos cabelos, formato do nariz) são determinadas por um conjunto de genes insignificantemente pequeno se comparado a todos os genes humanos. Para sermos exatos, as diferenças entre um branco nórdico e um negro africano compreendem apenas uma fração de 0,005 do genoma humano. Em outras palavras, toda a discussão racial gravita em torno de apenas 0,035% do genoma, de maneira que não faz qualquer sentido atualmente a crença em raças”, sustentou.

O relator recomendou ainda a supressão das expressões “derivadas da escravidão” e “fortalecer a identidade negra” de artigos do substitutivo preservados. No primeiro caso, observou que, “sem esquecer os erros cometidos, devemos voltar nosso esforço para o futuro e buscar a justiça social para todos os injustiçados, sem qualquer forma de limitação”. No segundo, considerou não existir no Brasil uma “identidade negra” paralela a uma “identidade branca”.

“No Brasil, a existência de valores nacionais, comuns a todas as cores quebra o estigma da classificação identitária maniqueísta. Encontram-se elementos da cultura africana em praticamente todos os ícones do orgulho nacional, seja na identidade que o brasileiro tenta construir, seja na imagem do país difundida no exterior”, analisou ainda no parecer.

Espera-se que na próxima semana, após sete anos de tramitação no Congresso Nacional, o Senado possa aprovar definitivamente  o Estatuto da Igualdade Racial. O PLS será o primeiro item de pauta de votações da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) na próxima quarta-feira (16) e um requerimento de urgência deverá ser apresentado para que a proposta seja votada pelo Plenário do Senado nesse mesmo dia.

Simone Franco / Agência Senado

Sobre este tema, transcrevo um comentário importante e bastante elucidativo do colega Juarez Silva (http://blogdojuarez.amazonida.com):

“Há muita diferença entre racismo, racialismo e o que se coloca como “critério racial” no tocante a Ações Afirmativas(AA), entre elas cotas universitárias, etc…

1- Racialismo é a crença em diferentes raças humanas do ponto de vista BIOLÓGICO.

2- Racismo é ideologia supremacista que a partir da premissa racialista, atribui relação de superioridade/inferioridade entre as “raças”, causando discriminação e desigualdade SOCIAL REAL a partir de uma ideia errônea e arraigada, que não precisa de “embasamento científico” (pelo menos não encontra ai mais nenhum “apoio”).

3- O conceito “racial” utilizado nas AA não é o biológico… (hoje corretamente refutado pela ciência), mas sim a sua CONSTRUÇÃO SOCIAL apoiada principalmente no FENÓTIPO(uma coisa real e evidente) gerando um coeficiente sócio-histórico-familiar prejudicial a afrodescendentes…, é inegável a constatação que durante séculos a “raça” foi facilmente identificada e utilizada para prejudicar (oficialmente) parcela da população, ainda hoje é flagrante e bem documentado o preconceito e a desigualdade social a partir do recorte “raça/cor”, não seria justo “ignorá-la” apenas na hora da reparação do dano.

Logo, a utilização da inexistência biológica da raça e a confusão premeditada entre os conceitos de racismo e racialismo com a finalidade de desconsiderar todo o estrago social secular feito em nome da “diferença de raça” e principalmente a redução de seus efeitos na sociedade atual e futura, contém óbvia falácia.

Considerar a questão “racial” sob um prisma sócio-histórico e com um viés afirmativo, não é racialismo, muito menos “racismo” ou fomentador dele.

Quanto a questão do problema brasileiro ser sócio-econômico e não racial, diversos estudos, casos amplamente conhecidos e a mera observação empírica, comprovam que ao contrário do que pensa o senso comum, o fator cor não desaparece com a ascenção social, muito pelo contrário, se torna mais evidente e complicador da ascenção (sem contar que “não livra a cara” de eventuais hostilidades).”

Pra frente Brasil! (Copa do Mundo 2010) 1

É muito difícil (mesmo para os que afirmam não gostar de futebol)  ficar neutro diante da euforia e do espírito de  patriotismo  e união que envolve os brasileiros durante as “Copas do Mundo”.

Somos os únicos a ter conquistado 5 (cinco) títulos mundiais.

Neste cenário somos a “superpotência”, somos os gigantes.

E este sentimento de grandeza e destaque produz efeitos em nosso povo que extravasa um patriotismo raro (normalmente reprimido por sedimentadas experiências de submissão econômica, política ou internacional).

Ruas e casas decoradas com faixas, fitas e pinturas nas cores verde e amarelo. Automóveis adornados com o pavilhão nacional. Milhares trajando seu uniforme “canarinho”.

Imiscuído com este “clima”, relembro no vídeo acima a música que embalou a conquista da Copa do Mundo do México em 1970 (Tri) pela seleção considerada  a melhor de todos os tempos.

Na Copa de 2010, não temos jogadores com a mesma qualidade técnica de Pelé, Tostão, Carlos Alberto, Gerson, Rivelino e Jairzinho, mas não me filio aos “pessimistas de plantão”.


PRA FRENTE BRASIL!