Minas Gerais: 25o Estado a realizar o mutirão carcerário 3

Para cumprir a Resolução Conjunta nº 1 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) instalou nesta segunda-feira (16/08), o Mutirão Carcerário no Estado. Sob a coordenação do CNJ e do CNMP, as unidades do Poder Judiciário mineiro e do Ministério Público com competência em matéria criminal, infracional e de execução penal, implantaram diversos mecanismos que permitem, com periodicidade anual, a revisão da legalidade da manutenção das prisões provisórias e definitivas, além das medidas de segurança e internação de adolescentes em conflito com a lei.

Entre os mecanismos estão a disponibilização de estrutura física e logística para o funcionamento das secretarias, computadores e sistemas; designação de juízes e servidores e levantamento do número de processos de presos.

A partir do levantamento do número de processos de presos definitivos que serão remetidos para cada polo, será feito um cálculo para determinar a quantidade de processos que será despacha diariamente por magistrado e o número de magistrados e servidores necessários naquele polo para despachar todos os processos.

O Mutirão Carcerário tem como objetivo verificar todos os processos de condenados, definitivos ou não, nas varas criminais e nas de execução penal, quanto à expedição de guias de recolhimento para execução e quanto à unificação ou à soma de penas.  O reexame dos inquéritos e processos de presos provisórios irá subsidiar decisões quanto à manutenção ou não da prisão, bem como a possibilidade de concessão de benefícios através da Lei de Execuções Penais (LEP) e conversão da pena privativa de liberdade em pena restritiva de direitos.

O mutirão também busca entregar ao preso o atestado de pena a cumprir ou extrato de liquidação de pena, devendo anexada ao prontuário do preso uma cópia do documento emitido. Todos os estabelecimentos penais e delegacias de polícia que mantêm presos deverão ser inspecionados e as rotinas cartorárias das varas de execuções penais deverão ser revistas.

Em Minas Gerais, o estado foi dividido em seis pólos regionais: Belo Horizonte, Juiz de Fora, Montes Claros, Governador Valadares, Uberlândia e Varginha. Em cada uma dessas comarcas foi instalada uma secretaria do Mutirão com juízes, servidores, defensor público e promotor.

Na oportunidade, o presidente do TJMG, desembargador Cláudio Costa, frisou que o Poder Judiciário mineiro não vai poupar esforços para alcançar os princípios constitucionais da razoável duração do processo e da legalidade estrita da prisão. Como assinalou, é patente a necessidade de se aperfeiçoarem os mecanismos de acompanhamento das prisões provisórias e definitivas.

O presidente do TJMG reforçou que Minas Gerais já tem imediatamente respondido à demanda por mutirões, tanto que eles já foram realizados nas comarcas de Igarapé, Ponte Nova e Vespasiano, com resultados significativos. “Rever penas é importante. Corrigir injustiças é essencial. Colocar esses homens e mulheres injustiçados nas ruas talvez seja a parte mais fácil desse projeto. Contudo, temos também que pensar na reintegração dos ex-detentos na sociedade e no mercado de trabalho”, finalizou.

O conselheiro do CNJ Paulo Tamburini representando o presidente Cezar Peluso e o corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, alertou que não há fórmula acabada para se chegar aos objetivos do mutirão, mas o importante é atingi-los. “Devemos pensar menos no método, mas sim nos resultados. É necessário traçar um diagnóstico do atual cenário que mostra o número de presos provisórios e permanentes para, a partir deles, propor iniciativas e projetos destinados à preservação dos direitos fundamentais do indivíduo”.

O juiz auxiliar da Presidência do CNJ Luciano Losekann ressaltou que o objetivo do mutirão não é só conceder liberdade a quem tem direito a ela, mas fazer uma ampla análise em todos os processos criminais e nas execuções da pena. “Hoje acreditamos que a Justiça Criminal funciona menos para a classe menos favorecida que não possui condições financeiras para preservar seus direitos. Há falhas no atual sistema e todos os operadores do Direito têm a obrigação de propor ações para aprimorá-lo”, sustentou.

Luciano Losekann frisou que o desafio é estabelecer a regularidade da Justiça Criminal e adequá-la a condições que assegurem a todos os indivíduos a dignidade. “O sistema criminal, a cargo do Estado e do Poder Judiciário não tem funcionado bem. Temos que alterar essa situação. Um dos caminhos é fortalecer atuação das corregedorias de Justiça junto aos magistrados. Não só corrigindo distorções, mas dando-lhes suporte para o cumprimento da legislação criminal”, enfatizou.

Por fim, o juiz defendeu que uma contribuição imediata para melhorar a atual realidade seria o investimento em informatização. “Uma sugestão é a implantação de um sistema, já desenvolvido pelo CNJ, que permite acompanhar todas as movimentações do preso até o cumprimento de sua pena, se for o caso”, sugeriu.

A presidente do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário em Minas Gerais, desembargadora Jane Silva, mostrou-se sensibilizada com o interesse do CNJ e do CNMP em promover o Mutirão Carcerário no Estado. Revelou que o TJMG tem recebido apoio do Estado, em especial da Secretaria de Defesa Social, para agilizar as demandas da execução criminal. “Temos a consciência de que o princípio da dignidade humana deve nortear as ações na aplicação e execução das penas. Só assim teremos uma nação justa”.

A desembargadora reforçou a necessidade de ações concretas serem implementadas para acompanhar a trajetória do apenado durante o cumprimento de sua pena. “Em Minas Gerais, temos dois importantes projetos implantados: o Projeto Novos Rumos na Execução Penal que apoia as Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), e o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, que tem como meta reavaliar todos os processos criminais em todas as comarcas mineiras”, concluiu.

Fonte:TJMG / CNJ

  1. Parabéns Excelência pelo convite para integrar o Mutirão Carcerário de MG, o reconhecimento de seu trabalho em defesa de condições dignas para os detentos em cumprimento a LEP, nos deixa muito orgulhosos de termos V. Exa., atuando em projetos importantes a nível nacional, como este coordenado pelo CNJ.

  2. Em primeiro lugar quero dar meus parabéns também pela brilhante iniciativa do senhor presidente do TJMG, Claúdio Costa., isto significa uma avanço do poder judiciário em benefício da sociedade e dos presos que cumprem suas penas injustamente. Gostaria de fazer uma pergunta e gostaria que se alguém souber me responder ficarei muito grato. Fiz um pedido para a comarca de Igarapé, requerendo o serviço externo para um preso que se encontra o no regime semi-aberto, foi juntado documento como: carta de emprego, atestado carcerário e outros, porém o preso foi transferido da comarca de Igarapé para comarca de Ribeirão das Neves, o processo foi encaminhado para secretária do mutirão em Igarapé, pelo fato do preso ter sido transferido para outra comarca, terei que fazer todo procedimento novamente? ou, o próprio mutirão de Igarapé, tem competencia para decidir uma vez que, quando da juntada dos documentos o preso se econtrava ainda na comarca de Igarapé.Como será este processo do mutirão neste caso?
    Obrigado!
    Sidney

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s