Montblanc: “Porque Elas me Fazem Feliz” 29

Considerado um dos principais  colecionadores das canetas Montblanc neste país, meu irmão mais velho Marcus Valério fora citado em recente artigo publicado na revista “Istó é Dinheiro” (08/07/2009). Nesta ocasião,  Adriana Tombolatto, diretora de marketing da Montblanc do Brasil, referiu-se a ele como um cliente que conhece a Montblanc tão a fundo que assemelhar-se-ia a um embaixador da grife.

Transcrevo um texto de sua autoria dedicado a esta sua grande paixão:

PORQUE ELAS ME FAZEM FELIZ!

Por Marcus Valério Lins Barroso

Montblac Lorenzo de Medici

Montblac Lorenzo de Medici

A fala definiu a humanidade, mas é como nós escrevemos que nos define. A palavra escrita sempre me fascinou e podemos dizer que a nossa letra é o desenho de nossa personalidade. Ninguém no mundo inteiro vai conseguir, mesmo sendo um perito profissional, reproduzir com exatidão absoluta a nossa letra, se esta for feita com uma caneta tinteiro. A nossa assinatura passa a ser o nosso carimbo pessoal.

Ainda no tempo em que não existia o computador, o jovem que entrava na faculdade recebia de seu pai uma bela caneta tinteiro para nunca mais esquecer aquele momento tão especial, e a guardava como um de seus maiores tesouros pessoais até o fim de sua

vida. O competente executivo que se aposentava, após anos de serviços prestados, ganhava uma caneta-tinteiro de ouro maciço 18K, como agradecimento de sua empresa pelo seu saber compartilhado com os colegas durante todo aquele tempo.

Este é um dos maiores emblemas de uma caneta tinteiro: o símbolo do conhecimento, do saber e da cultura, e que vem ganhando cada vez mais importância. Valemos pelo nosso conhecimento, porque é através dele que iremos conquistar tudo o que nos proporcionará o sustento e o conforto durante as nossas vidas, além de nos completar como pessoas.

Montblanc Meisterstuck 149

Montblanc Meisterstuck 149

É por isso que uma caneta tinteiro, com uma pena de ouro de 18k, é mais do que um objeto de desejo para estas pessoas que valorizam a cultura e o conhecimento; ela acaba por tornar-se uma amiga para sempre.

Talvez por isso que, quando vi pela primeira vez uma Montblanc Meisterstück nº 149, em 1988, foi amor à primeira vista! Esta é a caneta tinteiro mais clássica e admirada de todo o planeta, por ser a mais antiga em produção ininterrupta, desde 1952 sem mudança de estilo. Ícone da Maison fundada em 1906 e símbolo da tradicional manufatura Européia, é a sucessora da original Meisterstück de 1924, que significa “obra-prima” em alemão.

Foi em uma revista que enumerava as melhores coisas da vida – o melhor carro, a melhor máquina fotográfica, o melhor barco… e como o melhor instrumento de escrita lá estava ela: bela, redonda, sexy, atemporal. E aquela forte paixão só poderia virar um verdadeiro amor!

A Montblanc nasceu no berço onde a fabricação perfeita é uma obsessão: a Alemanha. Não existe nenhum produto feito pelos germanos que algum outro país consiga fazer melhor. “Made in Germany” é uma das maiores grifes do mundo contemporâneo. Sendo eu um perfeccionista e apreciador de

produtos artesanais impecáveis, principalmente europeus, não teria como fugir de uma forte ligação com a marca da estrela de seis pontas ou cume nevado.

As Edições Limitadas Montblanc, produzidas e lançadas desde 1992, são sinônimo do que ela faz de melhor, no mundo dos Instrumentos de Escrita.

Montblac Imperial Dragon 888

Montblac Imperial Dragon 888

Divididas por temas como “Os Patronos das Artes” e “Os Escritores”, a Maison de Hamburgo me faz vibrar todos os anos com as suas edições tão especiais.

A expectativa de saber qual será o homenageado, se será uma reedição de uma de suas maravilhosas peças da década de 20 ou 30 ou se trará um novo design, é realmente emocionante!

É comum dizer que a vida é uma guerra; e como os generais recebem medalhas, nós também merecemos as nossas como recompensas pelas lutas que vencemos em nossas vidas. Como as Edições Limitadas Montblanc são anuais, nos temas

Patronos das Artes e Escritores, as tenho como as minhas medalhas de conquistas, verdadeiras fotografias de cada tempo, daqueles preciosos momentos.

Quando eu revejo a minha estimada coleção, é como se eu estivesse vendo um álbum de fotografias de minha vida, a minha história contada em capítulos, ou melhor dizendo: em canetas tinteiro Montblanc.

Qual a minha preferida? Eu diria que são duas: a Montblanc Lorenzo De Medici e a Montblanc Imperial Dragon 888.

A Montblanc Lorenzo De Medici é uma delas por ter sido a primeira do conceito Patronos das Artes, em 1992, quando tudo começou, e por também ter sido toda trabalhada à mão. Foram produzidas 4810 peças para todo o mundo, correspondentes à altura do monte Mont Blanc – o mais alto da Europa e que deu nome à minha querida marca – e ainda assim não existem duas iguais! Cada uma, inclusive, é assinada no corpo pelo mestre-artesão que a confeccionou.

Já a Montblanc Imperial Dragon 888 foi lançada em 1993, para ser distribuída em original, exclusivamente na Ásia. Ela tem um clipe e detalhes em ouro maciço 18K, tendo sido produzidas apenas 888 unidades. O oito é o número da sorte no Oriente, simboliza a fartura e riqueza, e o símbolo deitado representa o infinito.

Para ter este exemplar em minha coleção, tive que fazer uma verdadeira loucura! Era 1996 e eu achava que nunca a teria, quando recebi a maior revista especializada em Instrumentos de Escrita daquele tempo, a Pen Word International. A revista trazia telefone e endereço de uma das lojas mais especializadas do mundo em edições limitadas de todas as marcas existentes, em Nova York.

35973_sEram três horas da tarde no Brasil, uma quarta-feira, quando perguntei se eles tinham Edições Limitadas Montblanc. Para minha surpresa, disseram que havia uma peça destas, raríssima e lacrada de fábrica, e que só poderiam vendê-la pessoalmente. Não pensei duas vezes: liguei para uma agência de turismo, comprei a passagem e no outro dia, às oito da manhã, estava em frente da loja em Nova York, a capital do mundo. Não conhecia a cidade até então, e esta foi uma das mais incríveis viagens de minha vida.

Eu e a minha esposa Lusinei – meu grande amor e minha maior incentivadora, conhecemos pessoalmente o “quartel-general” da Montblanc-Simplo GmbH em Hamburgo, a segunda maior cidade alemã (menor só que Berlim) e conhecida como o portão da Alemanha para o mundo

Já o visitei por três vezes, para fazer o tour da fábrica e rever queridos amigos, sendo que em duas destas visitas fui recebido pelo Sr. Norbert Platt, Presidente Mundial da Montblanc na época, e hoje o poderoso CEO do Richemont Group, segundo maior do mundo em luxo e dono da Montblanc. Inesquecível!

montblanc

Como posso não gostar de algo que me dá tanto prazer? Impossível. Tenho umas das melhores e mais completas coleções de canetas Montblanc do Brasil e isto, sem modéstia, me deixa muito orgulhoso.

O colecionador é um sujeito tanto admirado quanto incompreendido. Mas se alguém me perguntar por quê eu coleciono as canetas tinteiro da Montblanc, vou responder sinceramente: porque elas me fazem feliz!